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NCG - Necessidade de Capital de Giro.

Entender a dinâmica do Fluxo de Caixa é essencial para a saúde financeira de uma empresa. Tratando-se disso, a NCG (Necessidade de Capital de Giro) é o indicador mais precioso nesse sentido pois oferece ao Gestor uma visão de futuro do Caixa.

Por Ricardo Offerni
Domingo, 27 de Setembro de 2020, 18:27h

Logo na visita comercial, quando apresentamos a Sirius ao possível novo Cliente e na ocasião ele dispõe as principais informações sobre a Organização, entre elas as Lições Aprendidas, iniciamos quase que instantaneamente a busca por respostas às SLAs (“entregáveis”) que deveremos acrescentar no drive de ações do futuro projeto. A NCG (Necessidade de Capital de Giro) é uma dessas entregas e por fazer parte do Fluxo de Caixa D90 (“Cash Flow D90”) da Sirius, nos primeiros dias de projeto já teremos esse indicador diariamente atualizado para a tomada de decisão junto ao Cliente.

Iremos abordar de forma macro o assunto nesse artigo, isso porque teremos mais ou menos elementos participando desse valioso indicador financeiro dependendo do ramo de atuação da empresa e de algumas das características específicas do mercado em que atua. Há também duas formas de calcular a NCG, pelo balanço patrimonial e pelo ciclo financeiro. Por compreender mais elementos em sua estimativa, abordaremos a forma do Balanço Patrimonial em nosso artigo.



Em síntese a NCG representa o valor mínimo que um empreendimento necessita em seu caixa para garantir que sua operação (compra, produção e venda) não pare por falta de recursos. Parece simples não é?! Mas muitas das empresas das quais realizamos o Turnaround Econômico Financeiro passaram por momentos muito difíceis (mas muito mesmo) por não terem adotado uma política financeira alicerçada no acompanhamento consistente da NCG.

A fórmula do NCG é bem simples, não demanda um estudo aprofundado por si só, seria assim:

NCG = Ativo Circulante + Estoques – Passivo Circulante.

Em termos financeiros:

NCG = Contas a receber + Estoque – Contas a pagar (custos variáveis + custos fixos).

Vamos exemplificar. Suponha que nosso saldo inicial de caixa é R$ 0,00 (“zero”) e também:
Que tenhamos R$ 50.000,00 em duplicatas a receber vencendo em 30 dias.
Que tenhamos R$ 30.000,00 em Cartão de Crédito a receber vencendo em 30 dias.
A respeito do Estoque, o exemplo seria:
Ciclo do estoque gira em R$ 15.000,00 / mês.

Temos em Ativos para os próximos 30 dias: R$ 95.000,00

Agora vamos ao Passivo Circulante, suponha:
Que tenhamos R$ 35.000,00 de contas a pagar com fornecedores a vencer em 30 dias.
Que tenhamos R$ 30.000,00 com Folha de Pagamento a vencer em 30 dias.
Que tenhamos R$ 20.000,00 com impostos a vencer em 30 dias.
E por fim que tenhamos R$ 15.000,00 e Empréstimos Bancários vencendo em 30 dias.

Chegamos a um valor montante de Passivo Circulante de R$ 100.000,00

Nesse exemplo teríamos uma NCG deficitária em - R$ 5.000,00. Isso quer dizer que em 30 dias precisaremos, com base no exemplo, capitar esse valor de recurso externo para liquidar todas as obrigações do período e manter o estoque no nível inicial.
Na Sirius, quando identificamos uma NCG deficitária em nossos Clientes adotamos uma série de ações articuladas que vão buscar estimular o “encaixe” financeiro do negócio a curto ou médio prazo. Em último caso, iremos solicitar apresentação de aporte ao Sócio ou buscar capital externo junto às instituições financeiras.

O problema dessa última alternativa reside no fato de que essa fonte de financiamento possui, normalmente, um elevado custo de capital, o que poderá levar a empresa a sofrer as consequências do chamado “Efeito Tesoura”. Usei propositadamente no exemplo do Passivo Circulante uma de Despesa Não Operacional (Empréstimos Bancários) para exemplificar o “Efeito Tesoura” em um ciclo financeiro. Essa despesa especificamente falando, não irá gerar uma nova receita e tão pouco irá compor o Patrimônio Líquido da empresa, é o que denominamos “fundo perdido”. Daí a necessidade de evitar esse tipo de despesa.

Percebeu também que estamos falando exclusivamente sobre resultado de Caixa? Sim, e isso é importantíssimo discutir pois os esforços dos Sócios quase sempre vão de encontro aos resultados econômicos do negócio: Faturamento, Patrimônio Líquido, número de pedidos, etc. E geralmente os Sócios não acompanham com tanta atenção o movimento do Caixa da empresa. Pode também parecer contraditório pensar que o acelerado crescimento de uma empresa pode ensejar sua ruína, mas é mais comum do que se imaginam. O aumento das operações de uma empresa acarreta, naturalmente, um aumento de sua necessidade de capital de giro (NCG), o que, por sua vez, tende a reduzir o saldo de tesouraria (ST) disponível, obrigando a empresa a buscar outras fontes de financiamento para custear seu capital de giro.

Perceberam que eu “travei” os prazos em 30 dias no exemplo? Fiz isso pois no 31º dia minha NCG provavelmente terá outros valores e até outros elementos compondo e alterando o resultado final. É importante saber exatamente quando e como iremos pagar e receber valores para que não erremos no cálculo. Nesse exemplo também desprezamos as possíveis perdas de estoque (depreciação, danos etc) e também o índice de inadimplência em nosso CAR (Contas a Receber), apenas por questão de prática didática, mas é importante que sejam consideradas também quando aplicáveis.

Outros tópicos como Saldo de Tesouraria (SD), Ciclo Operacional, Ciclo Econômico, Ciclo Financeiro e SCG (Sobra de Capital de Giro) também são importantíssimos para a compreensão do assunto, e iremos abordar em um futuro artigo sobre Política Financeira.
Gostou do nosso artigo? Esperamos ter contribuído para o seu crescimento e espero nos encontrarmos para conversamos mais sobre estratégias de negócios e ferramentas de gestão financeira. Até a próxima!

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Fluxo de Caixa
Estoque
Ativo Circulante
Passivo Circulante
Custos Fixos
Ciclo Operacional
Tesouraria
Fundo Pedido
Necessidade de Capita de Giro

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